terça-feira, 22 de junho de 2010

Tão frio

Lá fora tudo parece tão normal, poucos carros na rua, nenhuma pessoa à caminhar, árvores que balançam super levemente enquanto a temperatura cai gradativamente nesse segundo dia de inverno.
Os dias passam voando, meu aniversário vêm se aproximando, mais um ano!
Engraçado que à medida que envelhecemos começamos a notar cada vez mais os detalhes que antes eram passados em branco. Nunca havia parado sequer pra ver um céu estrelado e muito menos passava horas admirando calado.
Ao passo que reflito meus dias, muitas coisas acontecem, não aqui, mas ao longe. Pessoas que nascem, outras que morrem. Pessoas que riem enquanto bebem do mais caro whisky enquanto outras choram pelo frio e fome. Enquanto muitos transam, outros muitos estão a chorar amores perdidos, que se foram como o vento que hoje sopra suavemente, mas que amanhã não tem destino ou direção. O mundo é feito de dualidades que sempre se mantém por deveras desequilibradas.
Lembrei da minha tatoo, que reflete essas dualidades. Essa tatoo ainda não existe, só mentalmente, mas a cada dia se expande e ganha mais pontos pra que seja feita. Eu acredito compreender parte da dualidade, e procuro sempre na minha vida manter ela em equilíbrio.
Viver dessa forma não é fácil, pois requer muita paciência e muito bom senso. Você é julgado como otário e é tratado da mesma forma. As pessoas confundem o seu agir de boa vontade como idiotice, e te pisam ou humilham. Há aqueles que admiram, mas nunca tem coragem de fazer o mesmo, colocar em prática porque sabem que a repressão é grande. Os poucos que são como eu, ou que conseguiram entender ainda mais além são os guerreiros que lutam com as armas que tem por um mundo mais justo, mesmo que a ação seja limitada ao círculo de amigos, o que vale é a intenção.
Aí nesse momento eu lembro que assim como as dualidades, temos os pontos de equilíbrio que mantém nosso mundo um pouco mais emocional e menos racional. Não que ser racional seja errado, mas levar a vida só pelo racional é uma completa perda de tempo. Há muito mais pra ser feito com o coração do que com a razão. Pela razão jamais levariamos quem amamos pra passear porque vai custar caro, nunca nos apaixonaríamos porque podem nos machucar, não voaríamos de avião pois podemos estar no noticiário do dia seguinte.
Por fim, pela razão jamais seguiriamos as premissas do amor, pois ele nos iguala ao pó que cai de nossos sapatos, pois não há nada maior do que amar e ser amado, isso em todos os sentidos, desde amizade, família à grandes paixões. Foram os apaixonados, os que amavam profundamente o que faziam, somado à sua genialidade que temos a lampada, a energia elétrica, as teorias mais malucas de física, matemática e as mais belas canções, mesmo que após essa canção tão completa e tão sentimental morramos à míngua, pelo menos a fizemos.
Então enquanto contemplo calado a noite fria que faz lá fora, eu tenho plena certeza que amanhã reinará supremo nos céus o belo e iluminado sol, aquecendo nosso corpo, nossa alma e nosso coração.

Um comentário:

Juliana Bastos disse...

Você tem um brilho no seu caminho que nem imagina.

Te digo: É lindo de ver.

Te amo. =*